terça-feira, 13 de agosto de 2013

A VÓS FOI DADA A GRAÇA DE SOFRER POR CRISTO

Nos tempos de hoje é muito  elogiado o serviço voluntário. Há um número grande pessoas, entre elas profissionais das mais diversas áreas que prestam serviços voluntários.
Até mesmo grandes empresas administram programas de voluntariado, onde seus funcionários são motivados a participarem; Esses programas de voluntariado não se restringem a crenças ou culturas, mas tem como objetivo prestar auxílio aos mais necessitados, ser solidário,  ser participativo nas questões humanitárias e também quanto ao meio ambiente.
Vemos nesses serviços voluntários pessoas que de fato estão fazendo caridade, vemos pessoas que estão se aproveitando da situação, vemos pessoas que estão aliviando sua consciência, pessoas que estão massageando seu próprio ego, enfim no voluntariado vemos pessoas com as mais variadas intenções e razões para estarem ali.
Em algumas reportagens mostra-se pessoas que dedicam a vida por uma causa, uma ONG...
E talvez você esteja perguntando: onde quer chegar? Quero aqui afirmar que o serviço cristão vai além do voluntariado. Ainda que esteja dentro de um programa  de voluntariado, o cristão está sempre  como cristão e não como simples voluntário. Cristão: aquele que reconhecendo seus pecados e incapacidade de salvar-se, tem a experiência de ser amado por Deus,  crê em Jesus como seu salvador e o aceita como tal e por tem acolhido Jesus como seu salvador, rejeita a tudo o que não é conforme a vontade de Deus e toma sua cruz diariamente para seguir o seu amado Senhor. E segue a vida em serviço e amor, cheio do Espírito Santo.
Ao Cristão, é oferecido algo mais do que voluntariado. Ao Cristão é dada a graça de participar da paixão de Cristo.
Ao Cristão é dada a graça de sofrer por Cristo. Nem todo sofrimento é por Cristo. Há sofrimentos que são apenas frutos daquilo que plantamos. Mas se você é cristão, então a você é dada a graça de sofrer com Jesus e por Jesus.
Não estou de maneira alguma desprezando o trabalho voluntario, mas o trabalho voluntário você escolhe quando vai fazer, se vai fazer,  o quanto quer fazer. E depois, ainda que esse trabalho deixe em você marcas, lembranças, emoções, amadurecimento, é algo que partiu de você, para agradar você, para fazer bem a você, ainda que feito aos outros, o centro foi você (isso talvez inconscientemente). O sofrimento ao contrário,  não nos dá direito a escolhas de tempo de duração, se queremos ou não... o sofrimento nos humilha, no sofrimento o que se destaca não são nossos dotes e capacidades, mas nossa impotência diante de certas situações. Diante das pessoas o voluntariado é visto como algo digno de aplausos, mas o sofrimento, faz as pessoas se distanciarem, causa horror...
A vós Cristão, foi dada a Graça de sofrer por Cristo.  A carta de Pedro diz: Nisso Consiste a Graça: Sofrer injustamente.
Portanto, se você está passando por sofrimentos, una-se a Cristo em sua paixão. Não despreze seus sofrimentos, pois eles te fazem estar na Cruz com Jesus...

Salva-te a ti mesmo!

O evangelho de Lucas narra que no momento em que Jesus estava na Cruz, por três vezes foi-lhe dito: "Salva-te a ti mesmo".
Jesus estava no auge de sua dor: havia sido traído por um de seus discípulos, negado três vezes por outro; havia passado por todo processo injusto de julgamento e condenação; havia sido flagelado, humilhado pelos soldados; já havia recebido em seu rosto catarros e cusparadas; já havia sido coroado de espinhos, despojado de suas vestes, carregado uma pesada cruz, os cravos já haviam atravessado seus pés e suas mãos e agora no alto da cruz, por três vezes escuta o insulto desafiador: salva-te a ti mesmo!.
Essa expressão nos faz lembrar quando no deserto o demônio foi tentar a Jesus. E podemos observar algo interessante: o demônio fica esperando as oportunidades onde estamos debilitados, enfraquecidos, distraídos, agitados, etc. para então se aproximar e nos tentar.
Mas o que quero destacar aqui é que hoje existe a tentação para os cristãos que estão no sofrimento. Como que isso acontece: "Quando estão sofrendo,  lhes é jogado na cara que perderam o tempo servindo a Deus, perderam os anos de sua vida; Diz o tentador: Veja, você dedicou os anos de sua vida a Deus, olha agora como está você, você se esgotou pelos outros, mas agora todos te abandonaram e você está aí em sua dor. De que valeu sua entrega, sua renúncia, sua consagração, sua fidelidade..." E dependendo do sofrimento pelo qual esteja passando, pode ser ainda mais apelativa a tentação: "olha aí a tua família como está, você poderia ter ganho dinheiro, ter estudado, vai faça alguma coisa, deixe a vida em Deus, vá fazer tua vida, corre atrás do tempo perdido" Para outros talvez dirá  o tentador: "você não brincou, não festejou, não comemorou, você perdeu sua vida, vai salva-te a ti mesmo, desça da cruz e vai viver a vida, corra atrás do dinheiro, da conquista, do ter, etc."
Na hora da dor, quando provocado, o ser humano é capaz de ter reações e atitudes que surpreendem, seja positiva ou negativamente.
Quando provocado pelas tentações o ser humano é capaz de fazer coisas horríveis. Você já imaginou se eu ou você  estivéssemos na situação de Jesus. O que faríamos diante do desafio: desce daí e salva-te a ti mesmo!"  Santa Catarina de Sena disse certa vez: "Paciência é não descer da Cruz na hora da injúria".
Quem sabe você que lê esse texto esteja vivendo isso: Tem se dedicado a Deus, mas está passando por um tempo de sofrimento e no meio do sofrimento ouça vozes que dizem: desce da Cruz,  que adianta estar na Igreja e sofrer assim, corre atrás da sua vida, vai viver a vida... Irmão, lembre-se das palavras de Jesus: SE alguém quer me seguir, tome sua cruz e siga-me! Por tanto não desista agora, falta pouco, pois quanto mais estivermos no calvário, mais perto estamos da ressurreição. Talvez você viva a hoje o domingo de ramos, onde tudo é festa e aplausos, mas está entrando na semana santa, onde chegará a angústia do Getsêmani, a prisão, a humilhação, enfim, a sexta feira da paixão, mas ainda que se desconjunte o nosso homem exterior, nosso interior se renova dia após dia e os sofrimentos da presente vida, não tem comparação alguma com a glória do céu. Por tanto, não dê ouvidos à tentação do salva-te a ti mesmo. Continue, ame a cruz, perdoe, ore. O céu está próximo!

quarta-feira, 26 de junho de 2013

OS MORTOS ESTÃO DORMINDO?

Gostaria de saber se, quando morremos, ficamos dormindo até o Dia do julgamento. (Luiza Melo) 
            Primeiramente recomendo que você leia os textos “Escatologia – Sobre o fim do mundo”. Lá está tudo explicado detalhadamente. Em todo caso, aqui vai uma resposta resumida. 
No Antigo Testamento, antes da vinda do Cristo, pensava-se que quem morria ficava no sheol (mansão dos mortos), à espera da Vinda do Senhor, quando se dariam a Ressurreição dos mortos e o Juízo Final. Até lá, osheol era igual para todo mundo, bons e maus: era o reino da morte para todos! Os mortos ficavam numa situação de espera até à consumação final. Aos poucos, porém, foi nascendo a idéia de que, mesmo no sheol, havia diferença entre os bons e os maus; basta pensar na parábola do rico epulão e do pobre Lázaro: os dois estão no sheol (no seio de Abraão), mas um está feliz enquanto o outro pena (cf. Lc 16,19-26). Em resumo: segundo os textos mais antigos do Antigo Testamento, os mortos ficavam “dormindo” no sheol até a ressurreição final, quando o Messias viesse; nos textos mais recentes, os judeus já não pensavam que os mortos ficavam dormindo, mas num estado de espera, bom para os justos e tormentoso para os maus, até que o Messias viesse para o julgamento definitivo.
No Novo Testamento, com a chegada do Messias, tudo muda! Com Cristo, que é o Messias esperado, os mortos não mais ficarão esperando, pois chegaram os últimos tempos! Recordemos aquela passagem de Lucas 23,42s, do bom ladrão: “E falou: ‘Jesus, lembra-te de mim quando vieres como Rei’. E Jesus lhe respondeu: ‘Eu te asseguro: ainda hoje estarás comigo no paraíso’”. O ladrão, como os judeus da época de Jesus, esperava a Ressurreição no final dos tempos, quando o Senhor viria em glória: “Lembra-te de mim, quando vieres com teu Reino!” Mas, o Reino já chegou, com a Ressurreição de Jesus chegaram os tempos finais. Por isso mesmo, Jesus responde: “Hoje mesmo estarás comigo!” Agora que ele chegou, que venceu a morte, não há mais o que ficar esperando: com Cristo, os mortos não têm mais o que esperar: já chegou o dia do julgamento! O futuro esperado torna-se hoje, torna-se presente em Cristo: a salvação definitiva não é uma realidade meramente futura, mas surte efeitos imediatos para quem parte desta vida na comunhão com Cristo; o paraíso, estado final da bem-aventurança, é estar com Cristo, “já”, “agora”!. A morte de Cristo abre as portas do paraíso, de modo que a morte do cristão é entrada na Vida eterna. Por isso mesmo São Paulo afirma preferir ausentar-se desta vida terrena para ir estar com Cristo: “Estamos, repito, cheios de confiança, preferindo ausentar-nos do corpo para morar junto do Senhor” (2Cor 5,8). Aqui aparece claramente que o término da existência terrena leva imediatamente a habitar junto do Senhor. Não tem essa de ficar dormindo: morrer é ir estar imediatamente com o Senhor... por isso Paulo prefere morrer logo! Os que morrem antes da Vinda de Cristo na glória vivem já com o Senhor. O Apóstolo acrescenta, em outra carta: “Para mim viver é Cristo e a morte, lucro. Entretanto, se o viver na carne ainda me permitir um trabalho frutuoso, não sei o que escolher. Estou como que na alternativa. Pois de um lado desejo partir para estar com Cristo, o que é muito melhor” (Fl 1,21ss). Note-se que aqui o importante é que “ o viver é Cristo”: a morte não é um lucro em si mesmo, mas somente se for um partir para estar logo com Cristo. Uma morte que fosse separação de Cristo ou que interrompesse a comunhão com ele, não seria “lucro” para Paulo. A morte somente é desejável porque permite a entrada nessa comunhão com Cristo, que constitui o objetivo último da esperança cristã. Em mais sete textos paulinos a expressão “com Cristo” aparece com este significado. Por exemplo: “Se cremos que Jesus morreu e ressuscitou, cremos também que Deus levará com Jesus os que nele morrerem. Depois nós, os vivos, que estamos ainda na terra, seremos arrebatados juntamente com eles para as nuvens, ao encontro do Senhor nos ares. Assim estaremos sempre com o Senhor” (1Ts 4,14.17); “Pois Deus não nos destina à ira mas à salvação por Nosso Senhor Jesus Cristo, que morreu por nós a fim de que, vivos ou mortos, fiquemos unidos a ele” (1Ts 5,10). Outros textos são 2Cor 4,14; 13,4; Rm 6,8; 8,32. Estar com o Senhor exprime a firme certeza da comunhão com Cristo logo após a morte! Se o estar com Cristo fosse possível somente na Parusia (= Vinda de Cristo), o melhor para Paulo não seria partir! Partir para ficar dormindo?! Partir somente é bom porque é para estar com Cristo!
            Resumindo: aparece claríssimo no Novo Testamento que logo após a morte “partimos para estar com Cristo”. Então, erram aqueles que afirmam que, após a morte, ficamos dormindo até à Ressurreição final! Afirmar que, após a morte ficamos dormindo, é esquecer que Cristo ressuscitou, que com ele, ressuscitamos para a Vida! Erram também gravemente os espíritas, que pensam que, após a morte, ficamos à toa, zanzando num além, até reencarnarmos novamente! Isso seria desconhecer que nem a morte, nem a vida, nem criatura alguma nos poderá separar do amor de Cristo (cf. Rm 8,39).
            Para terminar, cito um importante texto do magistério da Igreja, a Constituição Benedictus Deus, do Papa Bento XII, no século XIV, que ensinou claramente e de modo infalível: “Nós, com a força da autoridade apostólica, definimos que, segundo a geral disposição de Deus, as almas de todos os santos que deixaram este mundo antes da paixão de nosso Senhor Jesus Cristo, e aquelas dos santos apóstolos, dos mártires, dos confessores, das virgens e dos outros fiéis que morreram após receber o santo Batismo de Cristo, e nos quais não há mais nada para purificar quando morreram, e não haverá também no futuro, quando morrerem, ou caso tenham algo para purificar, uma vez purificado, já que foram purificados após a sua morte (...) imediatamente após a morte e a purificação - se disto tinham necessidade -, mesmo antes de reassumirem os seus corpos e do juízo universal, após a Ascensão do nosso Senhor Jesus Cristo ao céu, estavam, estão e estarão no céu, no reino dos céus e no celeste paraíso, com Cristo...”

            A doutrina da Igreja é clara: aqueles que já estão purificados de seus pecados, imediatamente após a morte, mesmo antes do juízo final, estarão no paraíso, que é estar com Cristo. E isto por quê? Porque Jesus já ressuscitou e já subiu ao céu. Na sua Ascensão, já nos abriu o coração do Pai! Repito: quem nega que logo após a morte vamos estar com Cristo, está desconhecendo que Cristo ressuscitou, está ainda no Antigo Testamento!
            E o juízo final? Na Vinda do Senhor nossos corpos ressuscitarão e tudo quanto fizemos de bom ou de mal, nossos atos e omissões aparecerão, com suas conseqüências para toda a humanidade!
(matéria do site: domhenrique.com) Neste site há um curso de escatologia. Muito Bom!