sexta-feira, 1 de maio de 2026

 PREGAÇÃO MACGAIVER

Sabemos que há o costume de se dizer que cada pregação é um como um parto.

Há dor, sofrimento, tempo, enfim, quando tudo dá certo e a pregação nasce, é uma alegria.

Para o pregador, há uma alegria em ser convidado a pregar em algum lugar, seja um grupo de oração, um retiro, um momento celebrativo ou ainda que seja em um velório.

Mas junto com a alegria nasce também um certo temor, uma certa angústia, visto que se espera do pregador que exerça seu ministério de forma efetiva.

São alguns minutos de pregação, no máximo uma hora quando a pregação acontece dentro de um retiro, não mais que isso.

Em geral o tempo de uma pregação gira em torno de 30 minutos.

Costumo dizer que o pregador, guardando as devidas proporções, é como um cirurgião que tem diante de si um paciente e ele tem de fazer o que tem de fazer, não mais e não menos. Pois se fizer mais ou fizer menos, pode perder o paciente.

Aquela pode ser a última chance do paciente e a última chance do cirurgião, ou a última chance do pecador e a última chance do pregador.

Por um outro lado, os que chamam os pregadores a pregar em seus eventos, esperam dele um resultado e em alguns casos há até mesmo um certo custo, seja de locomoção, hospedagem, alimentação, etc.

Há pregadores que são convidados para serem um chamariz para o evento, visto serem já uma figura pública de renome. Sendo assim, logo após a confirmação para a pregação, seu nome é divulgado como pregador do evento despertando assim mais inscrições.

Pode também o pregador ser convidado por sua capacidade ou conhecimento aprofundado sobre o tema a ser abordado, ou ainda por sua experiência.

Por parte dos ouvintes temos diversas situações. Podemos citar algumas: Há os querem crescer na fé e no conhecimento e já conhecem o pregador a quem irão ouvir; há os que caem de paraquedas no evento, mas estando ali querem ouvir algo que lhes prenda a atenção seja pelo assunto abordado ou pela performance do pregador em todo seu áudio visual.

Portanto, para o pregador convidado há sempre grandes desafios se ele de fato agir com sinceridade e verdade; pois ele tem que dar conta da expectativa daqueles por quem foi chamado, dar conta da expectativa dos ouvintes (e de certa forma superar as expectativas), dar conta de estar conforme a fé que professa, de acordo com toda a sagrada escritura e não somente com um texto isolado, mas sobretudo, dar conta de estar conforme a vontade de Deus.

Há diversos modelos de pregação, entre eles três mais conhecidos e usados:

A pregação expositiva

A pregação temática

A pregação textual.

Mas eu costumo dizer que existe ainda um outro modelo, que inclusive dá um pouco mais de trabalho em sua preparação: “A pregação Macgaiver”!

Faço menção da série de TV, profissão: perigo.

Nesta série o ator Richard Dean Anderson interpretava o agente secreto Angus Macgyver, que escapava de situações perigosas evitando usar armas de fogo e empregando apenas sua inventividade e talentos improvisados…

A série foi tão boa que MacGyver virou um verbo no dicionário Oxford (um dos mais tradicionais da língua inglesa). Portanto, se você conseguiu consertar uma maçaneta quebrada usando um cabide, isso significa que você “macgyverou”.

E o que isso tem a ver com a pregação?

Me explico:

Hoje nós temos um problema muito comum em nosso círculo católico no que diz respeito às pregações.

Em geral nossas pregações são do modelo temática ou textual; Ou seja, é passado para o pregador um tema a ser pregado ou um texto bíblico a ser pregado. Na maioria das vezes as pregações em nosso círculo católico são mais temáticas do que textuais.

Não existe pregação fácil; ambas são difíceis e para que sejam bem feitas precisam de tempo de preparo e nem estou falando aqui das questões espirituais, mas sim das questões práticas tanto a nível intelectual como também da arte oratória.

Mas penso que as temáticas deveriam ser as mais cômodas para o pregador visto que nas pregações temáticas, somando ao conhecimento que já tem sobre o tema, ele vai pesquisar, estudar, fundamentar biblicamente, confrontar suas anotações com a doutrina, sintetizar, esquematizar e OK.

Mas na realidade não é assim.

Pois em linhas gerais, principalmente no que toca a realidade dos grupos de oração, a coisa acontece de modo um pouco diferente:

O pregador convidado, recebe um texto bíblico e um tema. Não vou aqui entrar nas questões de como se chega a esse tema e texto (embora seja essa uma questão de alta importância de ser abordada, quem sabe num próximo momento).

Disse acima que em sua maioria as pregações nos círculos católicos são de modelo temáticas, mas devo me corrigir, pois são uma junção de tema e texto, portanto seriam pregações temáticas textuais, onde o pregador tem diante de si o desafio de atender ao tema sem desprezar o texto e atender ao texto sem desprezar o tema que lhe foi passado para a pregação.

Quando o tema está coerente com o texto ou brota do texto, a situação não é tão complicada, mas fato é que nem sempre acontece assim.

Quando vejo os anúncios dos grupos de oração tenho a curiosidade (comum de pregador) de observar o tema e o texto; e é muito comum notar que para sincronizar o texto com o tema é preciso uma certa ginástica…

É aqui que entra o modelo de pregação “macgyver”.

Sei que também hoje há pregadores que não conseguem pregar temas, nem pregar textos… (isso é outro assunto, também interessante) mas não falemos disso agora.

O destaque aqui é para a pregação macgyver, quando o pregador tem de fazer uma ginástica, um certo forçar o texto ou forçar o tema, não demasiadamente a ponto de ficar ridículo, mas tem de usar de uma grande dose de criatividade se quiser pregar usando o tema e texto que lhe foram passados.

O problema é que não temos muitos pregadores “MacGyver” o que faz com que seja muito comum ouvir pregações que não atendem nem ao tema, nem ao texto.

Penso até que há muitos pregadores hoje que nem se quer notam a estranheza da desconexão entre tema e texto.

Mas caso notem e não sejam Macgyver seria interessante fazerem uma pregação evangelística salvando assim o paciente, muito embora corra o risco de ser criticado por toda a equipe médica (se é que me entende o leitor)...

Agora sempre que tiver diante de você um tema e um texto que não conversam você se lembrará que terá de fazer uma pregação “MacGyver”....

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