sexta-feira, 1 de maio de 2026

 



CHAMADOS À LINHA MAIS AVANÇADA DA IGREJA

Mateus 20,3: Em plena manhã, saiu de novo, viu outros que estavam desocupados, e lhes disse: “Ide também vós para a minha vinha. Vers.6: Porque estais aí o dia inteiro desocupados?

Tenhamos os versículos acima como pano de fundo de nossa mensagem, visto que durante a mensagem e sobretudo no final entenderemos o quão importante são os versículos acima e como eles se relacionam com o nosso tema.

Chamados à linha mais avançada da Igreja. A idéia no momento não é ser um motivador tentando dar um gás ou numa linguagem mais atual, dar um “UP”, na vida espiritual ou na missão que vivemos na igreja, mas dar talvez uma outra visão, abrir os olhos para uma realidade urgente em nossos dias.

O que vem a ser a linha mais avançada da Igreja?

Certamente já ouvimos pessoas argumentar dizendo que seu ministério é a linha mais avançada da Igreja.

Já ouvi pregadores dizer que o ministério de pregação é a linha mais avançada da Igreja visto que a pregação chega primeiro, anunciando o evangelho e depois é que vem a catequese e outros ministérios formando a comunidade local.

Já ouvi músicos dizer que o ministério de música é a linha mais avançada da Igreja, visto que a música chega preparando para o ministério de pregação.

Já ouvi intercessores dizer que o ministério de intercessão é a linha mais avançada, visto que antes de a música chegar, antes da pregação chegar, os intercessores em oração já se colocaram naquele lugar de guerra pelo reino de Deus.

Há ainda o ministério de cura e libertação que também poderia dizer ser a linha mais avançada visto entrar em combate direto com o inimigo.

Mas sem tirar o mérito de nenhum ministério, vamos aqui à luz do Catecismo da Igreja e da palavra de Deus, meditar sobre o que vem a ser a linha mais avançada da Igreja.

Isso parece nos remeter a uma linguagem militar, muito embora na linguagem militar se use o termo linha de frente que representa a posição ocupada pelos elementos mais avançados de uma força amiga, usada principalmente em operações defensivas para coordenar o apoio de fogo e o posicionamento das tropas.

Poderíamos ainda falar de linha de contato, ocupada pelos elementos mais à frente, tanto de forças amigas quanto inimigas.

Há ainda o termo LInha de Defesa Avançada que define onde as unidades de primeiro escalão se instalam.

Portanto, para nossa meditação gostaria que pensássemos em linha mais avançada tendo em mente uma situação de guerra, onde a linha mais avançada é esta linha de fato ocupada pelos elementos mais à frente, num contato mais direto com as forças inimigas, onde o combate é árduo e muitas vezes a visão é terrível.

Visto que na linha mais avançada os horrores da guerra estão presentes: combates brutais, constante ameaça, artilharia pesada, minas terrestres e o cenário de destruição. O soldado aqui se depara com o medo da morte, a presença de pessoas com ferimentos graves, falta de recurso, muitas vezes a fome e o frio… Enfim, a linha de frente é o lugar onde se vive o que não é possível viver em um treinamento.

Agora que pensamos na realidade de uma linha mais avançada em situação de guerra, precisamos ver que existe na visão da Igreja uma linha mais avançada e podemos dizer: Há um chamado para essa linha mais avançada.

Para nós católicos a linha mais avançada são as realidades temporais da vida comum, as realidades sociais do trabalho, vida doméstica, família, lazer, política, economia, enfim, tudo o que envolve o dia a dia, onde a igreja em seus ministros ordenados não podem chegar, aí é a linha mais avançada da Igreja.

E quem é que chega nesses lugares?

Os Cristãos Leigos. Sim nós os Leigos somos os que estão na linha mais avançada da Igreja, encarregados do apostolado, em virtude do batismo e da crisma. Temos o dever e gozamos do direito de individualmente ou agrupados em associações, de trabalhar para que a mensagem divina da salvação seja conhecida e recebida por todos os homens e por toda a terra. Este dever é ainda mais urgente quando só pelos leigos é que os homens de toda terra podem receber o evangelho e conhecer a Cristo.

Isso pode parecer lógico e simples, mas o que vemos hoje quando pensamos em Igreja ou em apostolado, ou sobre chamado, essa verdade de estar na linha mais avançada e olhar isso como uma verdade, parece passar longe tanto dos leigos em geral como também dos pastores que não tratam dos soldados feridos, nem nutrem e preparam seus soldados para a batalha…

Aqui vamos meditar sobre nós leigos e não sobre a postura dos pastores…

O que vemos de modo geral, muito embora saibamos que existem excelentes cristãos na sociedade, é que há uma dicotomia, uma separação da vida religiosa e da vida comum. Como se até fôssemos à igreja para nos abastecer para vivermos o dia a dia, mas não consigo visualizar em nós leigos esta noção missionária da vida comum.

Sempre que pensamos em missão, pensamos em pastorais ou movimentos organizados para realizar algo.

Até mesmo podemos aqui pensar na antiga fórmula de despedida da Santa Missa em que se dizia:

“Ite, missa est”, que não é apenas ide a missa terminou, mas buscando historicamente entendemos que uma tradução mais clara seria: “Ide, fostes enviados”. Essa fórmula não marcava o encerramento do sacrifício eucarístico, mas a projeção da vida cristã no mundo. O povo de Deus, alimentado pela Palavra e pela Eucaristia, não é dissolvido, mas enviado com uma missão: transformar o mundo, ou poderíamos ainda dizer preparar o mundo para o advento de Cristo.

Ser, portanto um cristão católico, não é tão simples como se pensa por aí. Nós estamos em constante missão, todas as horas do dia, todos os dias do ano.

Penso que quando nossos olhos se abrem à esta realidade, tudo muda em nossa vida e tudo se torna muito mais sério, mais profundo. Primeiro pelo entendimento que estamos em uma guerra. Todos os dias vamos para o campo de batalha, onde vemos muitos feridos, muitos mortos, muito sofrimento… No campo de batalha diário, estamos sob constantes ameaças.

Na linha mais avançada ou na linha frente, estamos muitas das vezes sozinhos em nossa missão. Não temos aí nenhum “suporte militar de nossos superiores” (digo isso a nível humano, pois a nível espiritual sim temos um grande arsenal), nem sequer temos na maioria das vezes outros do mesmo regimento, não há uma tropa, um batalhão, um pelotão; na linha mais avançada você olhará para os lados e muitas vezes estará sozinho…

De modo mais claro: Talvez, você irá trabalhar e aí no local de trabalho você será o único cristão, num lugar hostil, de palavreado baixo, chulo, fofocas, perseguições, injustiças, etc., mas é aí o seu campo de batalha, seu campo missionário, sua linha mais avançada.

Quem sabe, no seu leito de dor em uma enfermidade, ou junto à enfermidade de alguém… aí é o seu campo de batalha, seu campo missionário.

O ser pai, mãe, filho, trabalhador, estudante, enfim, em todas as realidades da vida comum que exigem de nós a partir de agora esse entendimento: “Chamados à linha mais avançada da Igreja”

Portanto, a vida comum não é simplesmente os anos que temos de passar nesta vida a estudar, trabalhar, casar, ter filhos que irão estudar, trabalhar, casar, ter filhos e ficarmos nesse ciclo constante.

Não, a vida comum, muito embora nela participemos dos elementos que lhe são próprios, para nós cristãos leigos católicos, ela é a linha mais avançada da Igreja e para aí é que somos enviados…

Muito bem, chegamos ao fim da primeira parte de nossa meditação.

Iremos ainda meditar sobre o protagonista desta missão e sobre o pressuposto da missão.

Aguarde…

 


PREGAÇÃO MACGAIVER

Sabemos que há o costume de se dizer que cada pregação é um como um parto.

Há dor, sofrimento, tempo, enfim, quando tudo dá certo e a pregação nasce, é uma alegria.

Para o pregador, há uma alegria em ser convidado a pregar em algum lugar, seja um grupo de oração, um retiro, um momento celebrativo ou ainda que seja em um velório.

Mas junto com a alegria nasce também um certo temor, uma certa angústia, visto que se espera do pregador que exerça seu ministério de forma efetiva.

São alguns minutos de pregação, no máximo uma hora quando a pregação acontece dentro de um retiro, não mais que isso.

Em geral o tempo de uma pregação gira em torno de 30 minutos.

Costumo dizer que o pregador, guardando as devidas proporções, é como um cirurgião que tem diante de si um paciente e ele tem de fazer o que tem de fazer, não mais e não menos. Pois se fizer mais ou fizer menos, pode perder o paciente.

Aquela pode ser a última chance do paciente e a última chance do cirurgião, ou a última chance do pecador e a última chance do pregador.

Por um outro lado, os que chamam os pregadores a pregar em seus eventos, esperam dele um resultado e em alguns casos há até mesmo um certo custo, seja de locomoção, hospedagem, alimentação, etc.

Há pregadores que são convidados para serem um chamariz para o evento, visto serem já uma figura pública de renome. Sendo assim, logo após a confirmação para a pregação, seu nome é divulgado como pregador do evento despertando assim mais inscrições.

Pode também o pregador ser convidado por sua capacidade ou conhecimento aprofundado sobre o tema a ser abordado, ou ainda por sua experiência.

Por parte dos ouvintes temos diversas situações. Podemos citar algumas: Há os querem crescer na fé e no conhecimento e já conhecem o pregador a quem irão ouvir; há os que caem de paraquedas no evento, mas estando ali querem ouvir algo que lhes prenda a atenção seja pelo assunto abordado ou pela performance do pregador em todo seu áudio visual.

Portanto, para o pregador convidado há sempre grandes desafios se ele de fato agir com sinceridade e verdade; pois ele tem que dar conta da expectativa daqueles por quem foi chamado, dar conta da expectativa dos ouvintes (e de certa forma superar as expectativas), dar conta de estar conforme a fé que professa, de acordo com toda a sagrada escritura e não somente com um texto isolado, mas sobretudo, dar conta de estar conforme a vontade de Deus.

Há diversos modelos de pregação, entre eles três mais conhecidos e usados:

A pregação expositiva

A pregação temática

A pregação textual.

Mas eu costumo dizer que existe ainda um outro modelo, que inclusive dá um pouco mais de trabalho em sua preparação: “A pregação Macgaiver”!

Faço menção da série de TV, profissão: perigo.

Nesta série o ator Richard Dean Anderson interpretava o agente secreto Angus Macgyver, que escapava de situações perigosas evitando usar armas de fogo e empregando apenas sua inventividade e talentos improvisados…

A série foi tão boa que MacGyver virou um verbo no dicionário Oxford (um dos mais tradicionais da língua inglesa). Portanto, se você conseguiu consertar uma maçaneta quebrada usando um cabide, isso significa que você “macgyverou”.

E o que isso tem a ver com a pregação?

Me explico:

Hoje nós temos um problema muito comum em nosso círculo católico no que diz respeito às pregações.

Em geral nossas pregações são do modelo temática ou textual; Ou seja, é passado para o pregador um tema a ser pregado ou um texto bíblico a ser pregado. Na maioria das vezes as pregações em nosso círculo católico são mais temáticas do que textuais.

Não existe pregação fácil; ambas são difíceis e para que sejam bem feitas precisam de tempo de preparo e nem estou falando aqui das questões espirituais, mas sim das questões práticas tanto a nível intelectual como também da arte oratória.

Mas penso que as temáticas deveriam ser as mais cômodas para o pregador visto que nas pregações temáticas, somando ao conhecimento que já tem sobre o tema, ele vai pesquisar, estudar, fundamentar biblicamente, confrontar suas anotações com a doutrina, sintetizar, esquematizar e OK.

Mas na realidade não é assim.

Pois em linhas gerais, principalmente no que toca a realidade dos grupos de oração, a coisa acontece de modo um pouco diferente:

O pregador convidado, recebe um texto bíblico e um tema. Não vou aqui entrar nas questões de como se chega a esse tema e texto (embora seja essa uma questão de alta importância de ser abordada, quem sabe num próximo momento).

Disse acima que em sua maioria as pregações nos círculos católicos são de modelo temáticas, mas devo me corrigir, pois são uma junção de tema e texto, portanto seriam pregações temáticas textuais, onde o pregador tem diante de si o desafio de atender ao tema sem desprezar o texto e atender ao texto sem desprezar o tema que lhe foi passado para a pregação.

Quando o tema está coerente com o texto ou brota do texto, a situação não é tão complicada, mas fato é que nem sempre acontece assim.

Quando vejo os anúncios dos grupos de oração tenho a curiosidade (comum de pregador) de observar o tema e o texto; e é muito comum notar que para sincronizar o texto com o tema é preciso uma certa ginástica…

É aqui que entra o modelo de pregação “macgyver”.

Sei que também hoje há pregadores que não conseguem pregar temas, nem pregar textos… (isso é outro assunto, também interessante) mas não falemos disso agora.

O destaque aqui é para a pregação macgyver, quando o pregador tem de fazer uma ginástica, um certo forçar o texto ou forçar o tema, não demasiadamente a ponto de ficar ridículo, mas tem de usar de uma grande dose de criatividade se quiser pregar usando o tema e texto que lhe foram passados.

O problema é que não temos muitos pregadores “MacGyver” o que faz com que seja muito comum ouvir pregações que não atendem nem ao tema, nem ao texto.

Penso até que há muitos pregadores hoje que nem se quer notam a estranheza da desconexão entre tema e texto.

Mas caso notem e não sejam Macgyver seria interessante fazerem uma pregação evangelística salvando assim o paciente, muito embora corra o risco de ser criticado por toda a equipe médica (se é que me entende o leitor)...

Agora sempre que tiver diante de você um tema e um texto que não conversam você se lembrará que terá de fazer uma pregação “MacGyver”....