ORANDO PELO FILHO
AUTISTA
Introdução:
Sabemos que a criança autista tem necessidade o quanto antes
das mais diversas intervenções terapêuticas e de maneira alguma deve ser negligenciada
a atenção no que diz respeito a essas intervenções.
Mas, juntamente com as intervenções terapêuticas não só
podemos, mas devemos enquanto cristãos pedir a intervenção divina. Devemos
orar.
1.
O
AUTISMO E SUA RELAÇÃO COM O CÉREBRO.
Em 1911, o psiquiatra Eugen Bleuler,
ao descrever pacientes com esquizofrenia, observou que aqueles que tinham as
versões clínicas mais severas apresentam-se tão internalizadas em si mesmos que
denominou esse quadro mais grave como “autismo” ( ou “para dentro de si
mesmo”). Essa foi a primeira vez que o termo foi usado.
As primeiras teorias, como a
psicanalítica, defendiam que o Autismo era uma condição resultante da
inadequada relação afetiva emocional entre a mãe e o futuro bebê gerado pela
ruptura precoce da ilusão de continuidade ente eles, levando a um desmantelamento
e a uma angústia de aniquilamento.
Confrontado pela realidade da
separação de sua mãe e ainda sem condições para encarar de maneira estruturada
esse processo, a criança passaria assumir uma atitude defensiva extrema,
“suspendendo” as diversas formas de vínculo mental com as pessoas.
Com o desenvolvimento dos estudos
epidemiológicos, a experiência clínica acumulada pelos mais diversos grupos de
pesquisa e de atendimento e a padronização cada vez maior dos sinais e sintomas
do autismo, as teorias baseadas em possíveis causas de natureza emocional foram
enfraquecendo e se mostrando inconsistentes, dando cada vez mais espaços para
um convencimento cada vez maior de que as causas do autismo, residem, sim, numa
base neurológica.
Muitos pesquisadores começaram a se
convencer de que a base do problema estava no cérebro e de que a fagulha era
iniciada na genética.
No cérebro do autista, a arquitetura
cerebral se encontra desorganizada e apresenta uma modelagem anormal, impedindo
que o funcionamento seja pleno.
O autismo é um transtorno de
desenvolvimento que afeta de maneira decisiva e predominante a capacidade de
percepção social.
A percepção social depende de várias
regiões do cérebro interconectadas graciosamente, cada uma responsável por uma
função contribuinte. Essas regiões
processam reconhecimento de face humana, linguagem social (verbal e não
verbal), análise emocional, estímulos sensoriais e funções executivas para
organizar, sequenciar e integrar todas elas. No cérebro autista, essas funções
e as regiões responsáveis se encontram como que desarranjadas em sua
arquitetura.
O cérebro autista não está lesado. Ele
simplesmente não se desenvolveu como deveriam.
Obs.
A intenção aqui não é discorrer sobre
autismo e sim orar pelo autista. Existem hoje bons livros e bons autores para
aqueles que querem aprofundar sobre o tema.
A intenção é mostrar a relação entre
o autista e seu cérebro para que possamos orar de forma mais específica.
2.
O
ENCÉFALO, PARTES E FUNÇÕES.
Partes Principais e Suas Funções
- Cérebro
(Telencéfalo + Diencéfalo)
- Telencéfalo
(Córtex Cerebral): A maior parte, dividida em hemisférios (direito e esquerdo) e
lobos (frontal, parietal, temporal, occipital).
- Funções: Pensamento,
memória, fala, percepção sensorial (visão, audição), consciência,
emoções, raciocínio.
- Diencéfalo
(Tálamo, Hipotálamo, Epitálamo):
- Tálamo: Estação
de retransmissão para informações sensoriais.
- Hipotálamo: Controla hormônios, temperatura corporal, fome, sede e
emoções.
- Epitálamo: Inclui a glândula pineal (melatonina e sono).
- Cerebelo
- Funções: Coordena movimentos
voluntários, equilíbrio, postura e aprendizagem motora. Como também a
função relacionada ao tônus muscular.
- Tronco
Encefálico (Mesencéfalo, Ponte, Bulbo)
- Mesencéfalo: Vias de passagem e
controle dos movimentos oculares.
- Ponte
(Pons): Controle
de movimentos e equilíbrio, conecta o cérebro ao cerebelo.
- Bulbo (Medula Oblonga): Regula funções vitais:
respiração, frequência cardíaca, pressão arterial, deglutição,
sono.
Embora a descrição acima seja de uma forma bem básica, isso nos ajuda a entendermos como podemos orar de uma maneira mais específica...
3.
A
ORAÇÃO POR CURA.
Nos ensina o Catecismo no nº 1421: “O
Senhor Jesus Cristo, médico de nossas almas e de nossos corpos, o qual remiu os
pecados do paralítico e restituiu-lhe a saúde do corpo, quis que sua Igreja
continuasse na força do Espírito Santo, sua obra de cura e de salvação, também
junto de seus membros”.
Rezar por cura é uma participação
ativa no amor misericordioso e salvador do Senhor.
Salva a aceitação da vontade de Deus,
o desejo que o doente sente de ser curado é bom e profundamente humano,
sobretudo quando se traduz em oração confiante a Deus.
“Filho, não desanimes na doença, mas
reza ao Senhor e Ele curar-te-á.” (Eclo. 38,9)
Se a obra do cristão é continuar a
mesma missão de Cristo, importa recapitular os elementos dessa missão:
“O Espírito do Senhor repousa sobre
mim, pelo que me ungiu para evangelizar os pobres, me enviou a sarar os
contritos de coração, a comunicar aos cativos a redenção e aos cegos a
recuperação da vista, a pôr em liberdade os oprimidos, a pregar o ano favorável
do Senhor, e o dia da retribuição.” (Lc. 4, 18-19).
“Ao cair da tarde, levaram a Jesus
muitos possessos. Ele expulsou os espíritos pela palavra e curou todos os
doentes. Assim se cumpriu o que foi dito pelo profeta Isaías:
Ele assumiu as nossas dores e
carregou as nossas enfermidades.” (Mt.8, 16-17)
A revelação de Deus em Jesus Cristo é
a de que temos um Deus misericordioso que salva e cura. Jesus como a
manifestação visível do Deus invisível, nos mostra que Deus é um pai amoroso.
Repetidamente, Jesus pede confiança: “O que quer que pedirdes em meu nome será
concedido”. Já é tempo de retornar à
esta confiança infantil na prece, à uma certeza de que Deus nos ama
verdadeiramente.
A oração como dizia Santo Afonso, é o
meio necessário para alcançarmos todas as graças necessárias para a salvação.
*E SE A CURA NÃO ACONTECER?
A vitória messiânica sobre a doença,
aliás como sobro outros sofrimentos humanos, não se realiza apenas eliminando-a
com curas prodigiosas, mas também como o sofrimento voluntário e redentor de
Cristo na sua paixão, e dando a cada homem a possibilidade de se associar à
mesma paixão.
Na Cruz de Cristo não só se realiza a
redenção através do sofrimento, mas também o próprio sofrimento foi redimido.
Realizando a redenção mediante o sofrimento, Cristo elevou ao mesmo tempo o
sofrimento humano ao nível de redenção. Por isso todos os homens, com o seu
sofrimento se podem tornar também participantes do sofrimento redentor de
Cristo.
“Completo na minha carne o que faltou
à paixão de Cristo, em benefício de seu corpo que é a Igreja” (Col.1,24)
Devemos sempre orar! Tendo sempre a
certeza da Soberania de Deus. Ele é Soberano e não nós.
Sempre orar com a certeza do Amor de
Deus. Lembrando que a prova do amor de
Deus por nós, não está no fato de atender nossos clamores.
Diz a sagrada Escritura:
“Pois bem, a prova que Deus nos ama é
que Cristo morreu por nós, quando éramos ainda pecadores.” (Rom.5,8)
*NÃO SE CULPE.
Sei que é comum que pais de filhos
que estão no espectro autista, se culpem ou fiquem em seu íntimo perguntando se
são ou não culpados pela condição de seus filhos.
É importante que os pais se unam
nesse momento, não se culpem e muito menos queiram jogar a culpa um no outro.
Conhecer sobre o transtorno é um dos
meios para compreender e não se culpar...
Se essa situação de culpa estiver em
um nível de prejuízo emocional é importante pedir ajuda para que não venha a
evoluir para uma depressão...
4.
VAMOS
ORAR.
Aproveite o momento que a criança
estiver dormindo para fazer a oração, principalmente se ela não gosta de ficar
aconchegada em seu colo durante um tempo longo.
Quando já estiver acostumada(o) com a
oração, você poderá fazê-la fracionada durante o dia em momentos oportunos. Mas
ainda assim, é bom que pare especificamente para fazer a oração e isso talvez
só seja possível quando a criança estiver dormindo.
Antes de fazer a oração pela criança,
se coloque na presença de Deus, se deixe envolver por sua graça e misericórdia.
Como orar.
Primeiro vamos fazer uma oração geral,
depois uma mais específica.
Coloque uma das mãos sobre a cabeça
da criança (caso ela seja muito sensível ao toque, apenas aproxime sua mão da
cabeça) e faça a oração a seguir:
“Pai das misericórdias, em nome de
seu Filho Jesus, eu coloco diante do Senhor esta criança tão amada e querida.
(diga o nome)
O Senhor, que formou cada detalhe de
seu corpo e deu a ele(a) o sopro da vida, conhece profundamente o encéfalo
(essa obra maravilhosa que guarda pensamentos, emoções, sentidos e movimentos).
Pai, toca com tua mão poderosa em
nome de Jesus em cada área: no córtex cerebral; toca no cerebelo, no tronco
encefálico, no sistema límbico, em cada conexão neural, cada sinapse, que tudo
esteja conforme a vossa graça e perfeição.
Divino Espírito Santo, peço que
visite essa criança amada, trazendo calma onde há sobrecarga, foco onde há
dispersão, controle onde há ansiedade.
Pai das misericórdias, confio em Ti e
ao Senhor tudo entrego. Em nome de Jesus. Amem.”
Se você ora em línguas, ore por um
pequeno instante.
Agora vamos orar mais especificamente
por cada área do encéfalo:
Da mesma forma com a mão sobre a
cabeça da criança, ou o mais próximo possível.
Pai das misericórdias, em nome de seu
Filho Jesus, eu coloco diante de Ti (diga o nome da criança) a quem tanto amas e a
quem tanto amamos.
Peço que visite cada parte de seu
encéfalo com Teu poder, trazendo cura e normalidade.
Deus Pai, rico em misericórdia, em
nome de seu Filho Jesus, toca no cérebro do(a) (diga o nome).
Te peço, toca no córtex cerebral,
nos lobos frontal, parietal, temporal e occipital (enquanto pede
pausadamente, toque nas diversas regiões da cabeça referentes aos lobos).
Visita essas áreas Senhor com teu poder, trazendo cura e normalidade. O Senhor
conhece profundamente a função de cada uma dessas áreas, fazei com que estejam
no tamanho e forma normal.
Pai, em nome de seu Filho Jesus, toca
no Tálamo, Hipotálamo e Epitálamo; o Senhor sabe o quão importante são
essas áreas do cérebro. Trazei normalidade na forma, tamanho e funcionalidade.
Pai, em nome de seu Filho Jesus, toca
no sistema límbico, para que o(a) (diga o nome) possa sentir e expressar
amor e criar vínculos. Cura os medos profundos, acalma a ansiedade...
Pai, em nome de seu Filho Jesus, toca
no cerebelo, essa parte tão importante. Concede a graça da melhora na
coordenação motora, equilíbrio e ritmo, trazei tranquilidade corporal.
Pai, em nome de seu Filho Jesus, toca
no tronco encefálico, trazendo harmonia em todas as suas funções vitais.
Ainda com a mão sobre a cabeça da
criança:
Senhor Jesus, peço que regue com seu
divino sangue cada célula, cada espaço por menor que seja da cabeça dessa
criança amada.
Divino Espírito Santo, Senhor que dá
a vida. Percorrei com sua presença cada
neurônio, cada conexão cerebral, cada sinapse, trazendo cura e normalidade na
formação e desenvolvimento cerebral.
Pai, te louvo pela vida do(a) (diga o
nome). Te agradeço pelo dom da vida. Te agradeço por seu Filho Jesus ter dado
todo o seu divino sangue na cruz para a salvação dessa criança.
Pai, em ti confio, em ti espero. Em nome de Jesus. Amem.
** Sabemos que hoje há diversos
estudos que pesquisam a relação entre autismo e genética. Vamos então pedir a Deus
que abençoe também a genética:
Pai das misericórdias, em nome de seu
Filho Jesus eu te peço, toca na genética
do(a) (dizer o nome) .
Pai, tua palavra diz que o Senhor é
quem o(a) fez de modo maravilho;
O salmista diz que o Senhor o teceu
no seio materno... Por isso te peço agora que o Senhor toque em toda a formação
do(a) (dizer o nome). Toca em seu DNA, nos genes como também nos cromossomos,
em cada proteína. Que tudo o que esteja sua genética relacionada ao autismo, possa agora ser tocado
pela graça e seja ordenado pelo Divino
Espírito Santo. Amem.
CONSIDERAÇÕES FINAIS.
Lembro que o que disse acima sobre o cérebro, foi dito de forma
básica, resumida e descrita e uma forma muito leiga.
A partir do que você leu nas
primeiras páginas sobre o cérebro, você pode espontaneamente orar de forma
específica para as necessidades da criança, pedindo que o Senhor Jesus toque
nessas áreas em questão.
Lembrando ainda que embora o
encéfalo tenha diversas áreas, elas estão
em constante comunicação e interligadas...
FONTES QUE FORAM USADAS:
Livros:
Mentes únicas ( Luciana Brites / Dr. Clay
Brites)
S O S
autismo ( Mayara Gaiato)
O cérebro autista (Richard Panek /
Temple Grandin)
Carta Apostólica Savific Doloris
(João Paulo II)
Sagrada Escritura
E alguns sites de pesquisa sobre o
encéfalo e suas funções.