terça-feira, 30 de dezembro de 2025

Orando pelo filho autista

 

ORANDO PELO FILHO AUTISTA

Introdução:

Sabemos que a criança autista tem necessidade o quanto antes das mais diversas intervenções terapêuticas e de maneira alguma deve ser negligenciada a atenção no que diz respeito a essas intervenções.

Mas, juntamente com as intervenções terapêuticas não só podemos, mas devemos enquanto cristãos pedir a intervenção divina. Devemos orar.

 

1.      O AUTISMO E SUA RELAÇÃO COM O CÉREBRO.

 

Em 1911, o psiquiatra Eugen Bleuler, ao descrever pacientes com esquizofrenia, observou que aqueles que tinham as versões clínicas mais severas apresentam-se tão internalizadas em si mesmos que denominou esse quadro mais grave como “autismo” ( ou “para dentro de si mesmo”). Essa foi a primeira vez que o termo foi usado.

As primeiras teorias, como a psicanalítica, defendiam que o Autismo era uma condição resultante da inadequada relação afetiva emocional entre a mãe e o futuro bebê gerado pela ruptura precoce da ilusão de continuidade ente eles, levando a um desmantelamento e a uma angústia de aniquilamento.

Confrontado pela realidade da separação de sua mãe e ainda sem condições para encarar de maneira estruturada esse processo, a criança passaria assumir uma atitude defensiva extrema, “suspendendo” as diversas formas de vínculo mental com as pessoas.

Com o desenvolvimento dos estudos epidemiológicos, a experiência clínica acumulada pelos mais diversos grupos de pesquisa e de atendimento e a padronização cada vez maior dos sinais e sintomas do autismo, as teorias baseadas em possíveis causas de natureza emocional foram enfraquecendo e se mostrando inconsistentes, dando cada vez mais espaços para um convencimento cada vez maior de que as causas do autismo, residem, sim, numa base neurológica.

Muitos pesquisadores começaram a se convencer de que a base do problema estava no cérebro e de que a fagulha era iniciada na genética.

No cérebro do autista, a arquitetura cerebral se encontra desorganizada e apresenta uma modelagem anormal, impedindo que o funcionamento seja pleno.

O autismo é um transtorno de desenvolvimento que afeta de maneira decisiva e predominante a capacidade de percepção social.

A percepção social depende de várias regiões do cérebro interconectadas graciosamente, cada uma responsável por uma função contribuinte.  Essas regiões processam reconhecimento de face humana, linguagem social (verbal e não verbal), análise emocional, estímulos sensoriais e funções executivas para organizar, sequenciar e integrar todas elas. No cérebro autista, essas funções e as regiões responsáveis se encontram como que desarranjadas em sua arquitetura.

O cérebro autista não está lesado. Ele simplesmente não se desenvolveu como deveriam.

Obs.

A intenção aqui não é discorrer sobre autismo e sim orar pelo autista. Existem hoje bons livros e bons autores para aqueles que querem aprofundar sobre o tema.

A intenção é mostrar a relação entre o autista e seu cérebro para que possamos orar de forma mais específica.

 

2.      O ENCÉFALO, PARTES E FUNÇÕES.

Partes Principais e Suas Funções

  1. Cérebro (Telencéfalo + Diencéfalo)
    • Telencéfalo (Córtex Cerebral): A maior parte, dividida em hemisférios (direito e esquerdo) e lobos (frontal, parietal, temporal, occipital).
      • Funções: Pensamento, memória, fala, percepção sensorial (visão, audição), consciência, emoções, raciocínio.
    • Diencéfalo (Tálamo, Hipotálamo, Epitálamo):
      • Tálamo: Estação de retransmissão para informações sensoriais.
      • Hipotálamo: Controla hormônios, temperatura corporal, fome, sede e emoções.
      • Epitálamo: Inclui a glândula pineal (melatonina e sono).
  1. Cerebelo
    • Funções: Coordena movimentos voluntários, equilíbrio, postura e aprendizagem motora. Como também a função relacionada ao tônus muscular.
  1. Tronco Encefálico (Mesencéfalo, Ponte, Bulbo)
    • Mesencéfalo: Vias de passagem e controle dos movimentos oculares.
    • Ponte (Pons): Controle de movimentos e equilíbrio, conecta o cérebro ao cerebelo.
    • Bulbo (Medula Oblonga): Regula funções vitais: respiração, frequência cardíaca, pressão arterial, deglutição, sono. 

 




 Embora a descrição acima seja de uma forma bem básica, isso nos ajuda a entendermos como podemos orar de uma maneira mais específica...

 


3.      A ORAÇÃO POR CURA.

Nos ensina o Catecismo no nº 1421: “O Senhor Jesus Cristo, médico de nossas almas e de nossos corpos, o qual remiu os pecados do paralítico e restituiu-lhe a saúde do corpo, quis que sua Igreja continuasse na força do Espírito Santo, sua obra de cura e de salvação, também junto de seus membros”.

 

Rezar por cura é uma participação ativa no amor misericordioso e salvador do Senhor.

Salva a aceitação da vontade de Deus, o desejo que o doente sente de ser curado é bom e profundamente humano, sobretudo quando se traduz em oração confiante a Deus.

“Filho, não desanimes na doença, mas reza ao Senhor e Ele curar-te-á.” (Eclo. 38,9)

 

Se a obra do cristão é continuar a mesma missão de Cristo, importa recapitular os elementos dessa missão:

“O Espírito do Senhor repousa sobre mim, pelo que me ungiu para evangelizar os pobres, me enviou a sarar os contritos de coração, a comunicar aos cativos a redenção e aos cegos a recuperação da vista, a pôr em liberdade os oprimidos, a pregar o ano favorável do Senhor, e o dia da retribuição.” (Lc. 4, 18-19).

“Ao cair da tarde, levaram a Jesus muitos possessos. Ele expulsou os espíritos pela palavra e curou todos os doentes. Assim se cumpriu o que foi dito pelo profeta Isaías:

Ele assumiu as nossas dores e carregou as nossas enfermidades.” (Mt.8, 16-17)

A revelação de Deus em Jesus Cristo é a de que temos um Deus misericordioso que salva e cura. Jesus como a manifestação visível do Deus invisível, nos mostra que Deus é um pai amoroso. Repetidamente, Jesus pede confiança: “O que quer que pedirdes em meu nome será concedido”.  Já é tempo de retornar à esta confiança infantil na prece, à uma certeza de que Deus nos ama verdadeiramente.

A oração como dizia Santo Afonso, é o meio necessário para alcançarmos todas as graças necessárias para a salvação.

 

*E SE A CURA NÃO ACONTECER?

A vitória messiânica sobre a doença, aliás como sobro outros sofrimentos humanos, não se realiza apenas eliminando-a com curas prodigiosas, mas também como o sofrimento voluntário e redentor de Cristo na sua paixão, e dando a cada homem a possibilidade de se associar à mesma paixão.

Na Cruz de Cristo não só se realiza a redenção através do sofrimento, mas também o próprio sofrimento foi redimido. Realizando a redenção mediante o sofrimento, Cristo elevou ao mesmo tempo o sofrimento humano ao nível de redenção. Por isso todos os homens, com o seu sofrimento se podem tornar também participantes do sofrimento redentor de Cristo.

“Completo na minha carne o que faltou à paixão de Cristo, em benefício de seu corpo que é a Igreja” (Col.1,24)

Devemos sempre orar! Tendo sempre a certeza da Soberania de Deus. Ele é Soberano e não nós.

Sempre orar com a certeza do Amor de Deus.  Lembrando que a prova do amor de Deus por nós, não está no fato de atender nossos clamores.

Diz a sagrada Escritura:

“Pois bem, a prova que Deus nos ama é que Cristo morreu por nós, quando éramos ainda pecadores.” (Rom.5,8)

 

*NÃO SE CULPE.

Sei que é comum que pais de filhos que estão no espectro autista, se culpem ou fiquem em seu íntimo perguntando se são ou não culpados pela condição de seus filhos.

É importante que os pais se unam nesse momento, não se culpem e muito menos queiram jogar a culpa um no outro.

Conhecer sobre o transtorno é um dos meios para compreender e não se culpar...

Se essa situação de culpa estiver em um nível de prejuízo emocional é importante pedir ajuda para que não venha a evoluir para uma depressão...

4.      VAMOS ORAR.

Aproveite o momento que a criança estiver dormindo para fazer a oração, principalmente se ela não gosta de ficar aconchegada em seu colo durante um tempo longo.

Quando já estiver acostumada(o) com a oração, você poderá fazê-la fracionada durante o dia em momentos oportunos. Mas ainda assim, é bom que pare especificamente para fazer a oração e isso talvez só seja possível quando a criança estiver dormindo.

Antes de fazer a oração pela criança, se coloque na presença de Deus, se deixe envolver por sua graça e misericórdia.

Como orar.

Primeiro vamos fazer uma oração geral, depois uma mais específica.

Coloque uma das mãos sobre a cabeça da criança (caso ela seja muito sensível ao toque, apenas aproxime sua mão da cabeça) e faça a oração a seguir:

 

“Pai das misericórdias, em nome de seu Filho Jesus, eu coloco diante do Senhor esta criança tão amada e querida. (diga o nome)

O Senhor, que formou cada detalhe de seu corpo e deu a ele(a) o sopro da vida, conhece profundamente o encéfalo (essa obra maravilhosa que guarda pensamentos, emoções, sentidos e movimentos).

Pai, toca com tua mão poderosa em nome de Jesus em cada área: no córtex cerebral; toca no cerebelo, no tronco encefálico, no sistema límbico, em cada conexão neural, cada sinapse, que tudo esteja conforme a vossa graça e perfeição.

Divino Espírito Santo, peço que visite essa criança amada, trazendo calma onde há sobrecarga, foco onde há dispersão, controle onde há ansiedade.

Pai das misericórdias, confio em Ti e ao Senhor tudo entrego. Em nome de Jesus. Amem.”

Se você ora em línguas, ore por um pequeno instante.

 

Agora vamos orar mais especificamente por cada área do encéfalo:

Da mesma forma com a mão sobre a cabeça da criança, ou o mais próximo possível.

Pai das misericórdias, em nome de seu Filho Jesus, eu coloco diante de Ti  (diga o nome da criança) a quem tanto amas e a quem tanto amamos.

Peço que visite cada parte de seu encéfalo com Teu poder, trazendo cura e normalidade.

Deus Pai, rico em misericórdia, em nome de seu Filho Jesus, toca no cérebro do(a) (diga o nome).

Te peço, toca no córtex cerebral, nos lobos frontal, parietal, temporal e occipital (enquanto pede pausadamente, toque nas diversas regiões da cabeça referentes aos lobos). Visita essas áreas Senhor com teu poder, trazendo cura e normalidade. O Senhor conhece profundamente a função de cada uma dessas áreas, fazei com que estejam no tamanho e forma normal.

Pai, em nome de seu Filho Jesus, toca no Tálamo, Hipotálamo e Epitálamo; o Senhor sabe o quão importante são essas áreas do cérebro. Trazei normalidade na forma, tamanho e funcionalidade.

Pai, em nome de seu Filho Jesus, toca no sistema límbico, para que o(a) (diga o nome) possa sentir e expressar amor e criar vínculos. Cura os medos profundos, acalma a ansiedade...

Pai, em nome de seu Filho Jesus, toca no cerebelo, essa parte tão importante. Concede a graça da melhora na coordenação motora, equilíbrio e ritmo, trazei tranquilidade corporal.

Pai, em nome de seu Filho Jesus, toca no tronco encefálico, trazendo harmonia em todas as suas funções vitais.

 

Ainda com a mão sobre a cabeça da criança:

Senhor Jesus, peço que regue com seu divino sangue cada célula, cada espaço por menor que seja da cabeça dessa criança amada.

Divino Espírito Santo, Senhor que dá a vida. Percorrei  com sua presença cada neurônio, cada conexão cerebral, cada sinapse, trazendo cura e normalidade na formação e desenvolvimento cerebral.

Pai, te louvo pela vida do(a) (diga o nome). Te agradeço pelo dom da vida. Te agradeço por seu Filho Jesus ter dado todo o seu divino sangue na cruz para a salvação dessa criança.

Pai, em ti confio, em ti espero.  Em nome de Jesus. Amem.

 

** Sabemos que hoje há diversos estudos que pesquisam a relação entre  autismo e genética. Vamos então pedir a Deus que abençoe  também a genética:

Pai das misericórdias, em nome de seu Filho Jesus eu te peço,  toca na genética do(a)  (dizer o nome) .

Pai, tua palavra diz que o Senhor é quem o(a) fez de modo maravilho;

O salmista diz que o Senhor o teceu no seio materno... Por isso te peço agora que o Senhor toque em toda a formação do(a) (dizer o nome). Toca em seu DNA, nos genes como também nos cromossomos, em cada proteína. Que tudo o que esteja sua genética  relacionada ao autismo, possa agora ser tocado pela graça e  seja ordenado pelo Divino Espírito Santo. Amem.

CONSIDERAÇÕES FINAIS.

Lembro que o que disse  acima sobre o cérebro, foi dito de forma básica, resumida e descrita e uma forma muito leiga.

A partir do que você leu nas primeiras páginas sobre o cérebro, você pode espontaneamente orar de forma específica para as necessidades da criança, pedindo que o Senhor Jesus toque nessas áreas em questão.

 

Lembrando ainda que embora o encéfalo  tenha diversas áreas, elas estão em constante comunicação e interligadas...

FONTES QUE FORAM USADAS:

Livros:

Mentes únicas ( Luciana Brites / Dr. Clay Brites)

S O S  autismo ( Mayara Gaiato)

O cérebro autista (Richard Panek / Temple Grandin)

Carta Apostólica Savific Doloris (João Paulo II)

Sagrada Escritura

E alguns sites de pesquisa sobre o encéfalo e suas funções.